quarta-feira, fevereiro 02, 2005

NOTA FINAL

Como nota final, de encerramento desta disciplina queremos sublinhar a importância que esta tem na formação docente. Apesar, por um lado, não ser o meu papel, enquanto aluno, criticar as a disciplinas que constituem o meu curso, quero afirmar que metodologia do ensino do português, assim como todas as disciplinas da área pedagógica, é uma das mais importantes temáticas na minha formação enquanto docente.
Esta disciplina é a única disciplina que possibilita ao aluno entrar em contacto com as prática docentes (ainda que de uma forma mais teórica), pouco antes de participar num estágio pedagógico.
Nesta disciplina podemos então entrar na esfera do conhecimento didáctico e tentar construir as bases para os pressupostos leccionais. Quero através desta pequena reflexão afirmar o meu profundo desagrado em relação ao tempo de duração desta cadeira. Mediante os temas abordados na aulas (tanto aulas do domínio prático e do domínio teórico), esta disciplina deveria prolongar-se por um ano inteiro lectivo (quiçá haver MEP 1, 2 e 3) e não constituir uma disciplina semestral; devido a este aspecto penso que as expectativas que formei antes de frequentar esta disciplina ficaram à quem do que realmente se passou, os temas foram leccionados, no meu entender de forma um pouco superficial (dadas as restrições temporais), que em nada se ajusta à importância destes mesmos. O factor tempo foi então muito importante.
Considerando este factor gostaria que a disciplina se dinamiza-se mais no caminho de uma vertente mais prática, de exercícios levados a cabo individualmente ou em grupo, apesar de este terem, de facto existido na sala de aula, no meu entender deveriam ter sido mais, e o tempo que recaiu sobre os exercícios deveria ter sido maior.
Não quero com isto afirmar que a disciplina foi mal orientada ou mal leccionada, não, apenas quero exprimir que dever-se-ia disponibilizar mais tempo com ela, em detrimento de outras cadeiras.
Não pretendo nesta reflexão final enumerar o que aprendi com a frequência às aulas desta cadeira (o que não farei), quero apenas deixar esta nota.

Resumo da Aula Teórica:

Constituintes da Competência Comunicativa

A competência comunicativa engloba diferentes perspectivas que vão desde as competências linguísticas ou gramaticais, às competências sociolinguísticas e competências textuais.
As competências linguísticas e/ou gramaticais englobam o conhecimento global da língua, das estruturas da língua, o seu aparato formal enquanto sistema linguístico. Estas competências linguísticas prendem se a uma vertente prescritiva do ensino da língua, trata-se aqui de ensinar a utilizar “correctamente” a língua.
Por outro lado na competência sociolinguística o que se tem em conta não é uma norma da língua, não é o conhecimento padronizado da língua, mas um conhecimento sócio-pragmático da língua. Ter a competência sociolinguística é ter conhecimento das normas sócio-culturais que regulamentam o comportamento linguístico.
A competência textual põe em questão o saber específico das diversas estratégias e recursos para comunicar com eficácia, envolve parâmetros de coesão e coerência textual.
A competência textual engloba outras competências que passam pelas literárias e vão até às competências semiológicas.
As competências literárias prendem-se com a produção e interpretação de literatura de textos literários, é através desta competência que podemos distinguir textos que meramente aplicam as normas literárias e aqueles que de facto são literatura (ainda que de facto esta distinção seja muito controversa). Com esta competência podemos adquirir o conhecimento sobre as habilidades que são passíveis de serem encontradas em textos literários e que não podem, à partida, serem encontradas em textos ditos normais. O que se trata na aquisição desta competência é , em última análise, a entrada no domínio das convenções e códigos pela qual a literatura se gere.
As competências semiológicas englobam as capacidades de decifrar símbolos, imagens a um nível textual; englobam também a capacidade de corrigir situações de ambiguidade e corrigir problemas de comunicação. Esta competência pode ser adquirida através de estratégias específicas, como ler, reler, repetir (Feedback) e antecipar de forma a resolver e evitar problemas.
Estes tópicos de análise da competência comunicativa são de veras importantes na esfera educativa do professor de português, na medida em que todos estes aspectos tem de ser tidos em conta para uma melhor formação dos alunos na área da língua.
Texto Base:. LOMAS C, 1993
Presente na Bibliografia, disciplina de MEPhttp://cursos.arauto.uminho.pt/lepi

Dez Razões para se ensinar português nas escolas:

01) Criar as bases para prolongados e recorrentes hábitos de leitura;
02) Por em contacto os alunos com o nosso património literário;
03) Despertar a curiosidade acerca dos temas gerais da nossa literatura, para que deste modo se incentive o gosto por esta mesma literatura.
04) Desenvolver capacidades interpretativas e de análise, em relação aos textos;
05) Desenvolvimento de capacidades de expressão do aluno para que este se possa exprimir de forma clara, sabendo utilizar os vocábulos da língua;
06) Desenvolver a capacidade de fazer a adequação entre contextos comunicativos e produção de enunciados;
07) Desenvolver também as competências relacionadas com a produção de textos e adequação pragmática desses mesmos enunciados;
08) Desenvolver competências relacionadas como o saber falar, ouvir, perceber e observar, de forma a melhorar o uso e saber da língua;
09) Adquirir conhecimentos meta linguísticos e diacrónicos da nossa língua;
10) Desenvolver e aperfeiçoar técnicas de estudo não só em relação ao estudo do português mas de uma forma multidisciplinar;

Compilação de endereços electrónicos:

Sítio sobre escrita e sua avaliação:
http://www.gre.org/writing.html
Sítio sobre oralidade e sua avaliação:
http://nwrel.org/eval/toolkit98/traits/
Informação sobre a língua portuguesa:
http://www.malhaatlantica.pt/jorgefborges/index.html
http://www.priberam.pt/dlp/gramatica/gram21.html
http://www.cyberduvidas.com
Gramática Virtual (testes):
http://www.roadnet.com.br/pessoais/leite/gram.htm
LITERACIAs
http://www.ectep.com/literacias/index.html
Blog:
http://oportuguesnasescolas.blogspot.com
Sítio sobre educação:
http://www.educare.pt
Novas tecnologias no ensino das línguas:
http://users.otenet.gr/~delhaye/c1266melhodologie.html
Como utilizar os media na sala de aula:
http://www.media-awareness.ca/fre/
Relatório de Leitura usando o Livro, o computador e a Internet:
http://www.kent.wednet.edu/2fstaff/2fmmccaule/2fuop.html
Vários:
http://cidadela.com.sapo.pt/ligacoes.htm
http://ciberduvidas.sapo.pt
http://www.min-edu.pt
http://www.deb.min-edu.pt
http://www.textoeditores.com
http://educação.te.pt
http://te.pt
Lei de Bases do Sistema Educativo:
http://www.malhatlantica.pt/germanobagao/legisla/LEI4686.html
Gabinete de Avaliação Educacional:
http://www.gave.pt
Letras & Letras:
http://web.ipn.pt
O Estudo Internacional PISA
http://www.gave.pt/pisa2.html
Resultados do PISA 2003
http://www.gave.pt/pisa/resultadospisa_2003.pdf

Aula de Português

A linguagem
na ponta da língua,
tão fácil de falar
e de entender.

A linguagem
na superfície estrelada de letras,
sabe lá o que ela quer dizer?

Professor Carlos Góis, ele é quem sabe,
e vai desmatando
o amazonas de minha ignorância.
Figuras de gramática, esquipáticas,
atropelam-me; aturdem-me, seqüestram-me.

Já esqueci a língua em que comia,
em que pedia para ir lá fora,
em que levava e dava pontapé,
a língua, breve língua entrecortada
do namoro com a prima.

O português são dois; o outro mistério.

A Novela do manual Big Brother


"Foi numa manhã de sábado, Outubro de 2003. Quando todos se preparavam para gozar o merecido descanso do fim-de-semana, eis que uma notícia abala os alicerces da nossa sociedade: o regulamento do Big Brother estava presente num manual escolar de Língua Portuguesa do 10.º ano." Por Maria Fernanda Rebelo

Foi numa manhã de sábado, Outubro de 2003. Quando todos se preparavam para gozar o merecido descanso do fim-de-semana, eis que uma notícia abala os alicerces da nossa sociedade: o regulamento do Big Brother estava presente num manual escolar de Língua Portuguesa do 10.º ano. O escândalo rapidamente varreu o país, fazendo saltar para os jornais, para as rádios, para as televisões, enfim, para todo o lado, gritos lancinantes de choque, de horror, perante tal atentado dirigido contra o sagrado edifício da Educação.
Era a prova, provada, que, definitivamente, Portugal tinha caído em desgraça. Augurou-se o pior: milhares e milhares de adolescentes seriam dados como perdidos, partindo em debandada rumo à casa mais vigiada do país, onde dariam hossanas ao lixo televisivo, perante a impotência dos professores, incapazes que são de orientar a aprendizagem dos seus alunos, e dos pais, inocentes espectadores desta verdadeira novela da vida real. Onde estava o Estado, onde estava o ministro? Aqui D'el-rei, que há que retirar, há que avaliar, há que prevenir, há que censurar.
Felizmente que esta triste novela está a chegar ao fim. Apesar de ainda se ler, aqui e ali, deliciosos disparates, a febre do manual Big Brother vai-se esmorecendo na espuma dos dias.
Convém recordar que o que motivou toda esta polémica foi uma página de um manual escolar onde constava o regulamento do concurso televisivo Big Brother, acompanhado das seguintes questões que aqui transcrevo: "Em diálogo com os colegas da tua turma, refere o que já conheces sobre este concurso"; "Após a leitura do regulamento, emite o teu parecer sobre o mesmo". Isto está de acordo com o programa? Objectivamente, está. Serve os objectivos definidos para a unidade em se insere? Objectivamente, sim. A utilização do regulamento daquele programa é, digamos, de bom tom? Isso já depende da opinião de cada um. No entanto, parece-me que as autoras assumiram um risco, talvez cientes da dificuldade que nós, professores, experimentamos ao tentar captar a atenção dos alunos.
Contudo, nada do atrás exposto foi tido em consideração pelos muitos opinadores que vieram censurar - ou pior, pedir a censura - aquela malfadada página, que, ainda por cima, é responsável por não se estudar os clássicos da nossa literatura... Se se tivesse analisado com algum cuidado e pormenor o manual em causa, certamente não se teria lido e ouvido tantas interpretações erradas e juízos precipitados; talvez não se ficasse com a amarga sensação que, para muitas das lusas mentes brilhantes, os professores são pedagogicamente incompetentes e os alunos, pasme-se, acéfalos.
Não, não houve bom senso. Vivemos dias conturbados, deprimentes e tristes, que nos têm empurrado para um estado de psicose colectiva e de mediocridade intelectual. A superficialidade e a cegueira mediática sobrepõe-se à ponderação e à seriedade. São tempos de crise, é o salve-se quem puder, eu sei. Melhores dia virão, esperemos todos.

Maria Fernanda Rebelo
Professora
Fonte: http://www.educare.pt

Comentário:

Sem querer aqui fazer juízos de valor acerca do programa em si, pois este tem o valor que tem, o melhor o valor que as pessoas da nossa sociedade lhe atribui, gostava de afirmar o meu total apoio para a “censura” dessa folha dos manuais escolares.
Não é preciso elaborar grandes dissertações teóricas para evidenciar o facto de os mass media e principalmente a televisão, nos dias de hoje terem grande influência no desenvolvimento das opiniões públicas, no desenvolvimento das mentalidades individuais.
Concordo com o artigo quando se afirma que vivemos tempos difíceis, tempos de “psicose individual” e de “mediocridade”, mas será que também vivemos no tempo do “vale tudo”? em que todas a estratégias são aceitáveis? Neste caso será que esta estratégia é válida? Será que os educadores poderão utilizar todos os artifícios na busca incessante da atenção do aluno? Na nossa opinião, não.
Sim podemos argumentar que os currículos devem se coadunar com as vivências dos alunos, devem chamar a atenção para a os aspectos quotidianos de forma a que os alunos se identifiquem com o que esta a ser leccionado, mas então a pergunta de fundo será, então o Big Brother faz parte de um capital “cultural comum”, na medida em que todos os indivíduos da sociedade se identificam com ele e toda a gente sabe o que é? Mais uma vez a nossa resposta é não. O aluno, enquanto aluno, pode tomar a decisão de não ver o programa, de não ser influenciado pelo lixo televisivo, mas após essa tomada de decisão tem que ir para a escola e saber, neste caso, o regulamento do referido programa? Não. Não devemos piorar o assunto do lixo televisivo transpondo-o para a escola. Isso será não acreditar no poder do professor, mas sim acreditar no poder da televisão. O professor pode fazer se rodear de outras estratégias que não passem por “deliciosos disparates”.
A adopção de tais conteúdos nos manuais escolares, responde, no nosso entender a lobbies político-económicos, com ideias de economia de mercado foi introduzido este tópico, de modo a que este manual fosse mais facilmente adoptado. A questão residual é, então, económica: nada tem a ver com a educação. O facto é que este tema não deveria estar num manual de português do décimo ano, pois com este precedente aberto, as temáticas dos manuais iriam corresponder aos índices de share da televisão e veríamos, não num futuro longínquo, mais lixo televisivo nos manuais, quem sabe transcrições de notícias de certos canais populista… depois disto podemos esperar tudo, e sim objectivamente os exercícios acerca desse lixo televisivo poderiam estar de acordo com o programa.
Não desacreditemos mais a educação e os professores e principalmente não tomemos com dado adquirido o facto de os alunos serem acéfalos, como a autora refere, acéfalos ao ponto de aprenderem com o regulamento do Big Brother.

FALAR

Tarefa:
“Jogo de Comunicações”

Organizar a turma em grupos de três ou quatro elementos. Em cada grupo, cada elemento deverá responder ao seguinte questionário:
1. Se fosses jornalista e tivesses que entrevistar uma figura pública, quem escolherias? Qual a pergunta que mais gostarias de lhe fazer?
2. Se fosses obrigado a permanecer sozinho, uma semana, numa ilha deserta, que objectos levarias contigo (apenas três)?
3. Se pudesses escrever uma frase numa nuvem, para ser lida por toda a gente, que frase escreverias?
4. Qual a palavra ou expressão de que mais gostas e o que mais detestas?

Cada grupo elege um porta-voz e lê as respostas em voz alta para toda a turma.
A resposta número três constitui um óptimo material para fazer um poema colectivo.



Competências utilizadas:
• Adequar o discurso ao objectivo e a diferentes auditórios
• Fazer exposições orais com e sem guião
• Usar vocabulário preciso

terça-feira, dezembro 14, 2004

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A caricatura evidencia, de uma forma um tanto quanto sarcástica, um problema que afecta uma grande parte dos estudantes portugueses. O cartoon representa um “caloiro” acabado de entrar na universidade que precisa de instruções para abrir um livro, livro esse que é um guia de estudo para iniciantes. Bem, o problema aqui levantado, no nosso entender, é o problema da falta de hábitos de leitura, o facto de os estudantes não terem prazer na leitura. Este cartoon, apesar de ser em inglês, adequa-se muito especificamente aos nossos alunos.
O problema existe desde há muito tempo na nossa sociedade, os alunos simplesmente não lêem, não têm hábitos de leitura, por vezes nem os chamados livros de leitura “obrigatória” lêem, depois entram na universidade sem hábitos que possibilitem uma fácil progressão nos estudos universitários. Mesmo na universidade estes alunos, que são confrontados com “muita” literatura para cada específica disciplina, não se esforçam por ler, nem o que é “obrigatório”, quanto mais o que deve ser por leitura complementar ou mesmo recreativa, tendo este facto repercussões na sua escrita e nas suas competências orais.
Este é o panorama evidenciado no cartoon e por ele criticado.
Quais serão os motivos para este problema?
No nosso entender o factor determinante pelo qual os alunos não têm hábitos de leitura reside na própria escola.
A escola é o motivo primordial para este condicionamento negativo dos hábitos de leitura. Na escola os alunos são, na maior parte das vezes, apenas confrontados com leituras obrigatórias para cumprir currículos, muitas vezes estas leituras em nada se coadunam com a vivências e experiências dos alunos, não há uma relação de proximidade aluno/texto. O próprio professor nada faz para quebrar as barreiras que existem entre os alunos e o texto, dado que apenas está preocupado em procurar a figuras de estilo no texto para assim ensinar o que é uma metáfora ou uma metonímia.
Os alunos então são condicionados de forma a pensar que ler é apenas procurar elementos no texto e que ler é só para aprender determinadas coisas. A repetição destas práticas ao longo de anos e anos de escolaridade, resulta nisso mesmo: os alunos não sabem ser a não ser que os professores os orientem, e fora da orientação do professor não há lugar para outras leituras, pois para eles ler não é estimulante é obrigatório.

segunda-feira, dezembro 13, 2004

Lista de Livros para Leitura Orientada (3.º Ciclo):

7.º Ano

1. Principezinho, Antoine de Saint-Exupéry
2. O Mundo em que Vivi, Ilse Losa
3. O Cavaleiro da Dinamarca, Sophia de Mello Breyner Anderson

8.º Ano

4. As Aventuras de João Sem Medo, José Gomes Ferreira
5. Histórias da Terra e do Mar, Sophia de Mello Breyner Anderson
6. As Rimas (Poemas Seleccionados), Luiz Vaz de Camões

9.º Ano

7. A Relíquia, Eça de Queirós
8. Se Isto é um Homem, Primo Levi
9. 1984, George Orwell


Justificação: O Mundo em que Vivi, Ilse Losa

O "Mundo em que Vivi" de Ilse Losa, no nosso entender, é uma obra que por si só justifica a sua leitura orientada em ambiente de sala de aula. Esta leitura poderá várias vertentes, primeiro: porque através da sua prosa simples e cativante a autora narra uma estória impressionante de uma menina judia alemã sob o regime nazi; este facto poderá fazer com que esta narrativa introduza nos leitores alvos (7.º ano), o prazer da leitura. Apesar de esta leitura ter uma vertente orientadora em conformidade com o currículo, este livro, esta história poderá e deverá ter a função de incitar hábitos de leitura, poderá ser um ponto de partida.
Em segundo lugar, este livro também tem uma função articuladora de programas, nomeadamente o programa de História deste ano lectivo e com o programa de Português.
A abordagem deste livro em contexto de sala de aula, dependendo do perfil das turmas, poderá ser feita de várias maneiras. No nosso entender este livro deve ser abordado de início de uma forma leve, lendo apenas algumas passagens de modo que os alunos se ambientem com a maneira de escrita da autora, para o professor poder receber algum feedback, e depois poderá passar-se a uma didáctica de texto mais aprofundada e poder-se-á passar para os temas, a intenção, os valores da narrativa. Esta didáctica deverá ser implementada através interpretações feitas em pequenos grupos, através da análise de vários capítulos por exemplo.
Pensamos que é por causa da sua forte e simples narrativa que este livro deve ser tido como leitura “obrigatória” no referido ano lectivo, porque é através dela que se poderá atingir conteúdos programáticos importantes no âmbito da disciplina de Português e mais importante do que isso, proporcionar ao jovens leitores uma experiência de leitura única, que pode e deve ser um ponto de partida ideal para o interesse por outras leituras.

quinta-feira, outubro 21, 2004

Miscelânea Cultural

Nos tempos de hoje tem se vindo a notar cada vez mais um fenómeno que leva as diferentes culturas a se inter relacionarem e a se confundirem numa só cultura, a este fenómeno tem-se chamado de Globalização. Neste contexto de fusão das culturas, ao qual nós chamaríamos Americanização, há que considerar o papel dos formadores dos alphas e betas que constituem a sociedade; temos então que considerar o papel do professor enquanto parte activa e de suma importância. Qual o papel deste face ao domínio cultural dos poderes instalados? Qual o seu papel na transmissão da cultura? Que cultura deverá propagandear?
Bem, a escola, através do professor, é o instrumento privilegiado de contaminação cultural. Através dela faz-se a propaganda de valores e saberes que mais se coadunam à prepotência dos tais poderes instalados. Não, não estamos a falar acerca dos regimes totalitários de meados do século passado, estamos sim a falar de algo que é actual e que passa despercebido aos mais incautos, dada a forma velada de instalação cultural.
Temos visto que, no nosso sistema escolar, o professor transmite uma cultura estandardizada vinda directamente das mais altas instâncias; esta cultura é predominantemente católica (apesar de supostamente o ensino ser laico), masculina, ocidental fazendo a apologia da família nuclear tradicional e das orientações sexuais ditas normais. Então, como deverá lidar um professor com alunos estrangeiro, não católicos, provenientes de lares em que os educadores são homossexuais e alunos também eles homossexuais? Deverá ignorá-los, como tem vindo a fazer? Ou deverá socializar considerando todos esses aspectos?
O melhor exemplo desta transmissão de cultura parcial encontra-se à vista de todos, nos manuais escolares. Nestes, poucas são as referências a outras culturas que não a instalada, bem também não admira dada a promiscuidade entre editoras e o estado (regulador da educação).
Não deveremos culpabilizar totalmente os professores pela transmissão da cultura parcial, os professores estão inseridos no sistema e o sistema faz deles seu instrumento. Contudo cabe ao professor ditar um pouco das regras da socialização.
Onde está então a nossa cultura? A cultura específica do país, o que é mais característico? Esta encontra-se prostituída por uma cultura que a sufoca completamente a cultura americana. Muito por culpa dos media, como a Internet e a televisão, temos visto que a nossa cultura anda moribunda, ninguém lhe dá valor, apenas se valoriza os hambúrgueres da McDonalds e os filmes americanos.
Tudo isto se reflecte na escola e nos currículos a ensinar. A escola tornou-se meio para inculcar nos educandos o valor do que é americano, há, sem dúvida, a apoteose do sentimento americano.
Em jeito de conclusão poderemos afirmar que a escola é, como foi referido, um meio privilegiado de transmissão de cultura ou de aculturação numa sociedade, deverá então passar pela escola a (r)evolução do status quo tal como o conhecemos. Deverá passar, em última instância, pelo professor o desvio à norma.